Laboratório de Neuro-Epistemologia Experimental

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Integram o LNEE, na qualidade de profissionais colaboradores e estudantes, representantes de várias especializações: neurocientistas, neuroquímicos, terapeutas (fisio- e cognitivos), analistas de sistemas, engenheiros, artistas contemporâneos, semioticistas, antropólogos, historiadores, entre outros. Esta diversidade espelha o espectro inusitado de associações exercitado no dia-a-dia de nossas pesquisas; permite-nos antecipar o caráter híbrido do exercício do método científico que marca desde a formulação hipotético-experimental e a concepção de plataformas metodológicas até a multiplicidade e complexidade das produções decorrentes de nossas frentes de pesquisa.
Esta associação, as complexidades geradas não são fortuitas, mas refletem a grande questão de natureza essencialmente epistemológica de nosso grupo de pesquisa LNEE: seria a ciência, alicerçada pelos trânsitos abstratos, subjetivos, e eventualmente não conscientes do humano? Ou reafirmamos o modelo vigente da ciência como um campo de aplicação objetiva da cognição humana formalizada na lógica aplicada a estruturas e acontecimentos físicos? Qual o lugar da natureza humana subjetiva da ciência? Entendemos que o caminho para endereçamento desta questão passa pelo entendimento da natureza dos processos neurobiológico-cognitivo-comportamentais humanos, e de como estes processos poderiam estar representados dentro de expressões que parecem preservá-los mais fielmente, como as expressões de arte. A partir destes, rastrear estruturantes de ordens funcionais comuns às nossas expressões de arte e de ciência, tentando decifrar o conteúdo subjetivo subjacente de aproximação dos campos de conhecimento artístico e científico e a condição humana de seus campos de conhecimento, propostos aqui como potenciais campos de criação, todos, incluindo a ciência do método.
Portanto, o LNEE é um laboratório científico incomum, onde criação e pesquisa experimental controlada associam-se diretamente. Onde os campos de conhecimento humano entremeiam-se em malhas que desmontam propostas hierárquicas de validação de verdades e valores vigentes no pensamento racional, da modernidade à contemporaneidade.
Uma vez associando em costuras transdisciplinares complexas campos de conhecimento e problematizações correspondentes às artes, à filosofia – sobretudo à epistemologia, à ciência – sobretudo às neurociências, e a tecnologia (com ênfase em sistemas computacionais) o laboratório possui um caráter híbrido. A hibridização fica especialmente evidente nas frentes de pesquisa científica experimental do laboratório, quando consideradas as redes de conexões conceituais abarcadas para o levantamento de hipóteses científicas, a criação de modelos e métodos de pesquisa que rompem frequentemente com os modelos tradicionais metodológico-experimentais, e finalmente quando considerado o inusitado espectro de produções desdobradas da pesquisa científica, que incluem não raras vezes, a criação de obras apresentadas em circuitos acadêmicos e não acadêmicos de arte contemporânea, publicadas como vídeos, acervos de áudio e imagem disponíveis na web, além de publicações de artigos em revistas e jornais especializados que incluem não só aqueles de natureza científica, como também exemplares dos campos das artes, da filosofia epistemologia, da história das ciências.
Elementos introdutórios
Emoção, cognição e ação são processos indissociáveis, reconhecíveis na expressão comportamental humana de inteligência, incluindo suas manifestações criativas. Parece razoável, portanto considerá-los como necessariamente impregnados em nossos modelos de racionalização, nossos campos de conhecimento. Aplicados ao sistema de regras do método científico, culminam na concepção da ciência enquanto sistema de convencimento por consensualidade argumentado na objetivação de escrutínio lógico formal. Os eixos funcionais do comportamento humano que em última análise concebem, validam e ampliam o conhecimento científico definem-se, portanto, como espectros multimodais de processamentos de natureza neurocognitiva, que, indo além das previsões das lógicas tradicionais, ganham as cores dos sentimentos complexos e do comportamento emocional-afetivo. Nosso velho paradigma científico cartesiano, nossa techné, tem seu proposto caráter monocromático, lógico, objetivo, contestável pela própria ciência que forjou.
Seriam os processos cognitivos que servem à concepção e prática científicas, elaborações finais de um repertório de possibilidades de reduções formais ou abstrações a partir de trânsitos ditos subjetivos? Seriam os trânsitos afetivo-cognitivo-comportamentais, incluindo sentimentos, emoção, afeto, suas raízes mais profundas? Existiriam elementos potencializadores da criatividade em ciência?
Buscamos caminhos não muito ortodoxos de entendimento da natureza dos processos inteligentes humanos atuantes na formulação científica. Entendemos a ciência como sistema proposicional criativo, o cientista como um sujeito. Nossa hipótese é de que a criatividade é potencializada em condições de favorecimento de trânsitos estéticos e afetivo-emocionais, especialmente em situações de alta demanda e complexidade racional. Acreditamos ainda que a arte, sobretudo a arte contemporânea, mais que qualquer “objeto de conhecimento” humano, favorece o acesso a perspectivas descoladas de nossa sistemática tradicional de forma e conteúdo, que nos libertaria para a formulação de hipóteses funcionais mais criativas, transformadoras, idealmente acessíveis à experimentação, à descoberta, à criação em ciência.
Sendo assim, nossas linhas investigativas projetam-se em eixos que vão da problematização de natureza teórica, em campos combinados da filosofia, epistemologia, semiótica, psicologia e história do conhecimento, à experimentação neurocientífica controlada, passando pela concepção de novos protocolos e paradigmas experimentais, e pela criação em arte contemporânea.
A expressão artística parece incitar o pensamento criativo/imaginativo, numa ressonância com a natureza criativa/imaginativa da obra em si e, claro, do artista. Não raras vezes a vemos antecipar eixos de problematização endereçáveis pela ciência. Ao mesmo tempo, a história da ciência está repleta de exemplos, muitos na categoria de testemunhos pessoais, de que trânsitos de ordem estética, por vezes oníricos, são fontes de insights intelectuais, que se estabelecem como rupturas paradigmáticas, como breakthoughs. Como explicar essa conexão? O que estas conexões estariam nos apontando sobre o caráter da ciência e de seu progresso como campo de conhecimento?
Nosso laboratório tenta esclarecer como e por que a arte se apresenta como estruturante de pensamento racional aplicado à ciência. Embutiriam, expressões de arte, funções gerativas de enraizamento racional?
O distanciamento de natureza cognitiva entre arte e ciência deve ser desafiado, enquanto premissa, deve ser questionado experimentalmente, à luz de modelos científicos. Endereçamos a hipótese de que todas as bases expressivas do comportamento humano, narrativos/conscientes, e não narrativos/não conscientes, embutiriam eixos estruturantes racionais, eventualmente redutíveis por modelos lógicos. A natureza híbrida, multimodal do pensamento em ciência é um viés hipotético sobre o qual avançamos nossas pesquisas no laboratório.
Padrões de estruturação de manifestações comportamentais, criativas humanas, vêm sendo rastreados em nossas pesquisas, tanto na perspectiva da ciência, quanto da arte e da filosofia. Apresentamos brevemente um sumário destas linhas investigativas.
Uma proposta neuroepistemológica
Nosso grupo trabalha com a hipótese de que trânsitos subjetivos, como aqueles definidos por sentimentos, emoções, estéticas, alicerçam a cognição humana, e impulsionam as questões e insights intelectuais potencialmente capazes de alavancar transformações científicas. Entendemos que hoje é possível um olhar menos restritivo, menos blindado, sobre a natureza de nosso campo de conhecimento classificado como científico. Através desse olhar, a ciência se revela como um sistema de modelagem racional objetiva de uma realidade física do mundo, no entanto, imperscrutável ao humano em sua totalidade. Entendemos que essa modelagem encontra-se essencialmente ancorada num universo de acontecimentos físicos, apreendidos por transdução sensorial, num extremo, e pela criatividade humana demandada para sua interpretação, no outro. Neste esquema, a ciência se impõe como criação, e o cientista, como sujeito.
A hipótese de que trânsitos subjetivos possam alicerçar a prática da ciência, nos vários estágios do método científico, vem sendo pesquisada experimentalmente por nosso laboratório, em linhas de pesquisa que se complementam. Os modelos possuem em comum a inserção de estéticas e objetos da arte contemporânea, seja como recurso de realce de trânsitos subjetivos sensíveis, indissociáveis na problematização do objeto científico, seja como meio expressivo, simbólico, de proposições não narrativas, potencialmente disparadoras de novas associações, inspiradoras para o sujeito no exercício da formulação hipotética e da razão científica.
As pesquisas em andamento em nosso laboratório se complementam em uma mesma rede epistemológica, onde arte e ciência são investigadas 1. quanto à pertinência de atribuirmos conteúdo lógico à arte, e de valor estético à ciência, 2. quanto ao impacto da carga estética, conferida por concepção artística, sobre a cognição, e 3. quanto à identificação científica experimental dos atributos da arte, sobretudo da arte contemporânea – que equilibra estética e conceito com forte carga simbólica – diretamente implicados na potencialização dos processos cognitivo-comportamentais, envolvidos na formulação inspiracional e na racionalização características da ciência. Abaixo:
1. DA ARTE NA CIÊNCIA Avaliação de indicadores de ganho cognitivo em modelos de problematização em ciência e em artgames, manipulados para carga estética conferida por tratamento artístico. Índices de apreensão e aproveitamento lógico-cognitivo são extraídos por questionários individuais e por sistemas de mensuração de performance no artgame. Medidas fisiológicas começam a ser incorporadas à experimentação. Nosso primeiro conjunto completo de resultados reforça a hipótese de ganho cognitivo em situação de impregnação do objeto em arte.
2. DA CIÊNCIA NA ARTE Rastreamento e reconhecimento de padrões por modelagem matemática de atributos técnicos e físicos de imagens de obras pictóricas representativas do expressionismo abstrato de Danilo Moveo https://www.youtube.com/watch?v=-U2S3aUYpJM, em versão digital, e de Jackson Pollock http://pt.wikipedia.org/wiki/Jackson_Pollock. Neste momento, investigamos a pertinência de endereçamento da hipótese de que marcos de contraste (que contribuem potencialmente para a relação figura-fundo) em imagens digitalizadas das telas abstratas dos artistas citados acima poderiam revelar ordens estruturais compatíveis com modelos dinâmicos fractais. Nosso rastreamento por modelos matemáticos coerentes, no entanto, agrega valores multimodais, multifuncionais, ao incluir os registros de manifestações fisiológicas e comportamentais – motoras – diretamente implicadas no processo de criação da obra de arte, derivados das experimentações com Danilo Moveo no ato da criação de suas obras. Neste conjunto incluímos o monitoramento de respostas galvânicas e temperatura da pele, medidas de tensionamento muscular do artista, além de captura de parâmetros de movimentação do artista, analisados por software adequado, todos realizados durante a execução da obra. A possibilidade de isomorfismo entre padrões dinâmicos revelados nos traçados fisiológicos, e/ou na análise de movimentação, com aqueles previstos por modelagem matemática, está contemplada nesta frente experimental em curso.
Perguntamos-nos se e como o objeto artístico poderia embutir um sistema de aproximação da lógica, se representaria o suporte de instanciação de estruturantes de processamento e elaboração racional, criativos, alimentando e acionando processos lógicos formalizadores como aqueles que ancoram a prática científica, por exemplo. Se estas questões se confirmam em nossos modelos experimentais e teóricos, veremos fortalecida a hipótese de indissociabilidade da lógica e do sentido estético em toda e qualquer forma de expressão criativa humana, incluindo a própria ciência..

GRUPO DE PESQUISA
Coordenação
Maira Monteiro Fróes, DSc

Pesquisadores e Colaboradores
Maira Monteiro Fróes HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Doutor/Pós-Doutor
Diretor de Pesquisa/Coordenador

José Otávio Pompeu e Silva HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Doutor/Pós-Doutor
Pesquisador Arte, cognição, acessibilidade
Colaborador

Claudia Lage Rebelo da Motta NCE/UFRJ Doutor
Pesquisador Inteligência Coletiva e TI
Colaborador

Carla Verônica Machado Marques NCE/UFRJ Mestre
Pesquisador Neuropedagogia
Colaborador

Carlo Emmanuel Tolla de Oliveira NCE/UFRJ Doutor
Pesquisador modelagem cognitiva computacional
Colaborador

Marcelo Miranda de Barros UFJF Doutor
Pesquisador modelagem matemática
Colaborador

Walter Gomide do Nascimento Jr UFMT Doutor/Pós-Doutor
Pesquisador modelagem matemática, lógica
Colaborador

Eufrasio Prates Pesquisador Associado NCE/UFRJ Doutor/Pós-Doutor
Pesquisador experimentação de transdução semiótica de música e traçados EEG em sistemas de organização fractal no campo da improvisação performática
Colaborador

Alfredo Nazareno Pereira Boente FAETERJ e NCE-UFRJ Pós-Doutorando MMF (HCTE)
Pesquisador sistemas lógicos de tomada de decisão em ambientes fuzzyficados

Eric Zavenne Paré HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Pós-Doutorando MMF (HCTE)
Pesquisador em arte performática contemporânea, empatia e sistemas robóticos antropomórficos

Renato Fernandes de Paulo NCE/UFRJ Pós-Doutorando MMF/JOPS (HCTE)
Pesquisador sistemas efetuadores neurais, sistemas motores periféricos e reabilitação

Myriam Keinitz Lemos FAETEC Mestre
Pesquisadora em educação e neuropedagogia
Colaboradora

Vivian Maia Reis FAETERJ/NCE-UFRJ Bacharel e Mestre Latu Sensu
Pesquisadora modelos em psicologia
Colaboradora

Luiz Otávio de Marins Ribeiro FAETERJ e NCE-UFRJ Doutorando RC (Fuzzy Lab/COPPE)
Pesquisador lógica e estatística, e gestão de tecnologia da informação
Colaborador

Dandara Macedo Dantas HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Doutoranda MMF (HCTE)
Pesquisadora design e arte contemporânea, interfaces com música e tecnologia

Cristina Amazonas Cabral HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Doutoranda MMF (HCTE)
Pesquisadora análise de sistemas, inteligência artificial e software art

Maria de Fátima Alfredo HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Doutoranda MMF (HCTE)
Pesquisadora arte contemporânea, dezenovevinte, representação da forma humana

Rogerio Mandelli HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Doutorando LPR (HCTE)
Pesquisador engenharia eletrônica, tecnologia, inteligência computacional e criatividade

Soraia Pacheco de Almeida Silva Felicio HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Doutoranda JOPS/MMF (HCTE) Pesquisador TI na área de Inteligência Coletiva e subjetividade

Valeria Portugal HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Doutoranda LPR/MMF (HCTE)
Pesquisadora bases neurofisiológico-comportamentais dos estados de consciência intuitiva: implicações das práticas de meditação

Danilo Andrade de Meneses HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Mestrando MMF/JOPS (HCTE)
Pesquisador indicadores emocionais e cognitivo-comportamentais em modelos de expressão de arte abstrata

Antonio Sucena Leon HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Mestrando MMF (HCTE)
Pesquisador história das ciências: O Instituto de Metapsíquica de Paris

Rafael Sampaio Octaviano de Souza HCTE/UFRJ e NCE/UFRJ Mestrando MMF (HCTE) Pesquisador epistemologia evolucionista

Thiago Ladislau dos Santos NCE/UFRJ Iniciação Científica e Extensão MMF
Extensionista e Pesquisador graduando em Arte: artgame design

Fernanda Teixeira NCE/UFRJ Iniciação Científica e Extensão MMF
Extensionista e Pesquisadora Graduanda em Ciência da Computação: sistemas complexos de manipulação e visualização de dados

Leonardo Toledo Miranda Inácio Barbosa NCE/UFRJ Iniciação Científica MMF
Pesquisador Graduando em biofísica de sistemas e lógicas

Everson Jean de Souza Machado NCE/UFRJ Iniciação Científica e Extensão MMF Extensionista e Pesquisador Graduando em Artes: videoarte

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